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Durante a forte ditadura sob a qual a Argentina viveu entre os anos 1976 e 1983, várias pessoas foram sequestradas, entre elas, várias crianças. Essa série de sumiços deu origem a um movimento que ainda hoje resiste no país, o das Mães e Avós da Praça de Maio. Trata-se de um grupo de mulheres – hoje senhoras – que seguem em busca de seus filhos desaparecidos. E, recentemente, uma dessas famílias teve uma história com um final feliz. Um menino roubado ainda criança retornou.

Ao longos desses 40 anos, Roberto Mijalchuk manteve uma antiga linha de telefone ativa. O motivo? A esperança de que alguma dia sua irmã, desaparecida, desse notícias. Porém, o tempo passava e o telefone nunca tocava. Até que um dia, tudo mudou.

Ao atender a ligação, infelizmente não era sua irmã ao outro lado da linha, mas sim, seu sobrinho, Darroux, com 41 anos de idade. Acontece que quando a irmã de Roberto desapareceu, ela estava com seu filho de poucos meses de vida. O menino sempre soube que a família que o criara não era sua família biológica, porém somente nos últimos tempos ele resolveu buscar suas origens.

“Lá no fundo, eu estava convencido de que meus pais poderiam ter sido desaparecidos da ditadura militar. Mas eu estava bem e não tinha interesse em uma busca com um resultado incerto que consumiria minhas energias em vão”. Porém, com o tempo, ele notou que estava tendo uma “postura egoísta” em relação ao caso. “Se não era importante para mim – como acreditava – deveria saber que em outro lado, algum irmão, tio ou avó poderiam estar me procurando.”

Então, ele contatou a organização das Avós da Praça de Maio e, com ajuda dela, descobriu ser filho de Elena Mijalchuk e Juan Manuel Darroux, desaparecidos em dezembro de 1977. Após o desaparecimento de seus pais, o menino, na época com 5 meses, foi abandonado na rua, a poucas quadras da Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA), onde funcionava o maior centro clandestino de detenção do regime militar argentino.

Uma família o encontrou e o adotou – porém nunca esconderam que não eram a família biológica do garoto. Em uma coletiva à imprensa, Darroux agradeceu ao tio por nunca ter parado de procurar por ele ao longo desses 40 anos. Infelizmente, não se sabe o paradeiro dos pais de Darroux, muito menos da criança que Elena esperava na época em que sumiu.

Isso que é não perder a esperança de encontrar um ente querido…

Fotos: Reprodução

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