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A gente veio propor uma coisa diferente para vocês neste começo de ano. Você já parou para pensar no que significam expressões corriqueiras, dessas que a gente fala sem nem pensar? O que quer dizer exatamente aquele palavrão que a gente solta quando leva uma baita fechada no trânsito? Ou de onde vem aquela expressão que  muita gente fala quando as coisas não estão bem?

Alguns podem reclamar da onda do “politicamente correto”, mas, parando para reparar, existem expressões preconceituosas em nosso vocabulário que muita gente fala sem pensar. E pior: isso só significa que o preconceito estão tão normalizado que a gente nem percebe. Quer ver só? Quantas das expressões abaixo você usa no seu dia a dia e nem se dá conta de que são preconceituosas?

“Não sou nem tuas negas”

Eis uma expressão usada quando alguém quer ser respeitado. Até bem irônico isso, afinal, aqui é fácil saber que é uma expressão racista que vem dos tempos da escravidão. As “negas” eram as escravas sexuais dos senhores de engenho. Ou seja, se não é “tuas negas”, não pode chegar perto, certo?

“Filha da puta”, “puta que pariu” e afins

Aqui o negócio é basicamente o mesmo: xingar a mãe da pessoa de puta, ou seja, de prostituta. Primeiro: por que xingar só a mãe? E o pai, tem culpa de nada não, é um santo? E segundo: por que chamar de prostituta? Um combo machista de xingamento…

“Cor de pele” e “Nude”

Essas expressões preconceituosas já estão até sendo revistas, graças, mas ainda está longe de ser perfeito. Afinal, quem foi que disse que o lápis de cor “cor de pele” ou a maquiagem “nude” é apenas aquela mais clarinha e amarelada. Gente, aqui é Brasil, tem cor de pele e nudes de todos os tons! Alow!

“Gordice” ou “tinha que ser gordo”

Nada mais preconceituoso do que dizer que “gordo faz gordice”… Ou pior… Encher o Insta de fotos comendo e a hashtag #Gordice. Quer dizer que gordo só come? Só faz trapalhada em busca de comida? Claro que não, né? Se você está comendo, você está fazendo algo que qualquer ser humano absolutamente normal faz. E nem precisa dizer que xingar alguém chamando essa pessoa de gorda é apenas inaceitável certo? Muito menos soltar o clássico “tinha que ser gordo!” quando alguém faz alguma trapalhada…

“Que negra linda!”, “Negra linda de traços finos” e afins

Pode parecer elogios, mas são expressões preconceituosas e racistas! Porque falar “negra linda”? Precisa destacar a cor? É algo tão incomum assim? Não mesmo! Por que não dizer “que mulher linda!”, oras! Não se trata de uma mulher? Não é linda? Ser negra, branca, parda, amarela, vermelha, o que for não vem ao caso em relação à beleza da mulher! E falar que tem os traços finos, nos poupem! Isso remete ao preconceito de que todo negro tem traços grosseiros, é generalização, é errado e ponto!

“Tudo igual para mim é um carro cheio de japonês!”

Que expressão mais infantil! E mais racista! Sim, dizer que japonês, chinês, coreano, enfim, que todo oriental  é igual é um baita racismo! Assim como achar que todo oriental ama sushi e anime. Ou dizer que todo mundo de olho puxado é japonês. São países diferentes, culturas diferentes, comidas diferentes e traços diferentes! Pode ser difícil para alguns reconhecer, mas pensando bem, responda com sinceridade: você já parou para pesquisar e aprender a diferença entre esses povos? De verdade?

Cara/roupa/coisa de pobre/favelada/mendiga/empregada

E daí que sua amiga resolveu sair de shortinho, camiseta e chinela de dedo? Quem escolher se vai vestir marca A ou B é quem veste e ninguém tem nada a ver com isso. Usar expressões assim só reforçam a ideia do elitismo, que prega que pessoas de renda mais baixa são bregas, feias, sujas. Tem muita menina de favela que dá banho de estilo em muita patricinha metida a riquinha, viu? Sem contar que o que cada um veste não é da conta de ninguém: quem garante que aquele seu amigo não consome de forma consciente e prefere usar um estilo  mais simples do que usar aquela marca famosa que utiliza trabalho escravo?

“Doméstica”

Aqui o racismo está tão enraizado que ninguém nem faz ideia! Mas sim, doméstica não tem NADA a ver com domicílio ou do lar. Ou melhor, tem, mas não da mesma forma, como evolução da palavra em latim dommus. A expressão também vem dos tempos da escravidão, quando os escravos precisavam de “corretivos” para serem domesticados e usados para trabalhar dentro da casa dos senhores.

“Coisa de menina”, “Coisa de menino”

Bom, em tempos como os de hoje, precisamos mesmo explicar por que não devemos falar que algo é coisa de menino ou coisa de menina? Por favor, apenas… parem…

“Mulata”, “Mulata tipo exportação”, “mulata da cor do pecado” e afins

Para quem não sabe, o temo “mulata” era usado na Espanha para se referir ao filhote macho do cruzamento de cavalo com jumenta ou de jumento com égua. Ou seja, um animal que deu errado, uma mula, imprestável. Precisa nem dizer que com a miscigenação brasileira, a vinda de imigrantes espanhóis e o racismo típico europeu, logo a expressão foi usada também para negros filhos de escravos com europeus. Daí juntar isso com “tipo exportação” ou “da cor do pecado” só fazem sensualizar as negras, como se elas servissem apenas para satisfazer desejos sexuais. Sem contar a associação com o pecado em uma sociedade essencialmente religiosa como a brasileira…

Estampa étnica

Vamos lá… Todo mundo faz parte de uma cultura, consequentemente, de alguma etnia, certo? Sendo assim, toda estampa deveria ser étnica, não é mesmo? Mas como somos criados dentro de uma ideia eurocêntrica – sim, nossas aulas de história geral são todas baseadas no que acontecem na Europa – então tudo aquilo que é diferente do que é criado nessa cultura é considerado étnico. Então estampas que remetem à cultura africana, indígena ou aborígene é chamado de estampa étnica. E o preconceito vai seguindo…

E então, vai dizer que nunca falou nenhuma delas? E fora essas expressões, há ainda muitas outras que se a gente fosse citar aqui, não terminaríamos nunca! Então, que tal colocar como meta para 2020 tirar expressões como essas do seu vocabulário?

Fotos: Reprodução

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