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O SingldOut não é a primeira empresa a tentar incorporar testes genéticos e promessas de exatidão científica aos seus serviços. Já faz um bom tempo que visionários de Los Angeles e Londres vêm experimentando os chamados “encontros de feronômios“. Nesses eventos, uma pessoa cheira as roupas usadas de outras, e, caso o cheiro lhe agrade, essa pessoa é apresentada ao dono da roupa fedida de sua escolha.

 Também temos o GenePartner, criado há oito anos atrás, que oferece a casais que se conheceram em outros sites de relacionamentos a oportunidade de avaliar sua química antes de um encontro tête-à-tête.

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O procedimento

O teste de DNA do SingldOut estuda dois grupos de genes: um é relacionado ao tamanho dos transportadores de serotonina; já o outro forma o Antígeno Leucocitário Humano, ou HLA, o indicador do sistema imune. Esse procedimento é baseado em pesquisas que indicam que o tamanho do gene da serotonina pode revelar uma suscetibilidade à depressão, e que as pessoas se sentem mais atraídas por aqueles com um sistema imune diferente dos seus (uma espécie de segurança biológica, resquício dos dias em que os humanos precisavam se preocupar com cruzamentos entre parentes).

Para a infelicidade dos românticos, a ciência pode explicar a primeira fagulha de atração que sentimos por um parceiro em potencial. “Há muito tempo atrás, as coisas incompreensíveis que aconteciam dentro e fora de nossos corpos eram vistas como mágicas ou divinas”, disse Tamara Brown, fundadora do GenePartner. “Existe um sistema intrínseco ao corpo humano — com hormônios e rotas de neurotransmissores — que pode ser lido como: Eu gosto dela/dele. Não é o sorriso brilhante, os olhos azuis ou o longo cabelo ondulado — é outra coisa. As pessoas não sabem muito bem o que é, elas só sentem algo.A ciência explicou várias coisas e essa é uma delas” ela acrescentou.

No entanto, ainda não desvendamos o que faz aquela pessoa em especial te deixar sem ar. “É provável que exista algum fator genético na atração”, explicou Joshua Akey, diretor de um laboratório de pesquisa sobre o genoma humano na Universidade de Washington. “Mas tudo isso é extremamente complexo, e vai além da nossa atual compreensão.”

O genoma humano é formado por dezenas de milhares de genes, e pouco se sabe acerca da influência desses genes em comportamentos complexos como a atração entre dois humanos. “É ingenuidade achar que características complexas podem ser previstas por quatro genes entre 20.000 “, disse Akey. “Nós só conhecemos uma pequena fração do elemento genético existente na atração; nem de perto o suficiente para determinar os seus efeitos no nosso comportamento.”

“Os genes são importantes”, disse Akey. “Mas eles não são tudo.”

Mesmo assim, France insiste que a ciência por trás do SingldOut é confiável. “Não é um golpe de marketing”, ela afirmou. “Nós realmente queremos ajudar as pessoas”. No entanto, as letras miúdas do site afirmam que, como o site não oferece serviços médicos ou de diagnóstico, ele não está sujeito à jurisdição da FDA (a Anvisa dos EUA), e, portanto, não é obrigado a seguir a Lei de De Segurança Médica.

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O SingldOut oferece uma conta gratuita por 30 dias, mas para conseguir um kit de DNA é preciso pagar a taxa de “Assinatura Gold” — seis meses saem por US$199.

 Em resumo, a nova geração de sites de relacionamento prometem codificar a atração — categorizá-la e filtrá-la até torná-la mensurável e racional. Mas os sites de relacionamento, sejam eles baseados no DNA ou em algum algoritmo nascido de alguns cliques numa tela, são pura pseudociência — uma promessa na qual decidimos acreditar ao invés de aceitar que estamos sozinhos, talvez pelo futuro próximo, e que isso é aceitável.

Não é fácil acreditar que, eventualmente e no tempo certo, você irá conhecer alguém que faça você se sentir bem, e confortável, e em casa. Mas você aceitaria testar? O que achou da novidade? Conta pra gente!

 

Fotos: Reprodução

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