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Quanto mais verdadeiro melhor. Essa parece ser a premissa principal de Edmilson Filho sobre quase tudo na vida. O ator parece mesmo com o Francisgleidson de Cine  Holliúdy, com um jeito menino cheio de carisma. Único filho homem de uma família matriarcal com três irmãs, Milsinho – como é chamado carinhosamente em casa – conseguiu fazer milagre e tirou um tempinho na agenda para  trocar uma ideia sobre o sucesso de Cine Holliúdy, a vida pessoal, os projetos para o futuro e o momento que o país está vivendo, em um almoço super divertido no Hotel Sonata, na companhia dos amigos de longa data Preto Zezé (presidente da CUFA Ceará) e Del Lagamar.

Morando em Los Angeles, nos Estados Unidos, o sonhador que quase não tem tempo de sonhar  com tanta coisa acontecendo, mostrou que tem planos sim e muitos! O jeito de menino encanta sim, mas o que mais surpreende é a maturidade do ator, profissional completo que e parece estar dando uma verdadeira volta ao mundo, tudo para no final (ou começo?)  entrar pela porta da frente em Hollywood. E pelo que pudemos ver e conversar com ele,  com certeza ele vai ganhar o mundo e sua história está só começando! Confira a entrevista exclusiva do Edmilson Filho. Boa praça, engraçado demais, mestre em Tae Kwon Do, focado, persistente e orgulho cearense!

No Pátio – Olhando no espelho, de você para você mesmo, quem é o Edmilson Filho?

Edmilson Filho – Desde muito jovem eu sempre sabia onde eu estava e onde eu queria chegar. Desde adolescente, eu determinei  o que eu  minha vida. Sempre olhando pra frente, mas sabendo onde eu estou e onde eu quero chegar. Acho que a palavra que busco levar na minha essência é determinação! Essa determinação e esse foco que me fazem conseguir realizar o que venho realizando,  e me dão mais confiança, pra conseguir chegar onde eu pretendo. Mas no final das contas, sou o mesmo Edmilson de sempre! Levo minha vida com a teoria de que ninguém é melhor do que ninguém. Podemos todos ter posições diferentes e cumprimos funções diferentes na sociedade, mas somos iguais e todas essas coisas são passageiras, um dia estamos de um jeito, no outro podemos estar em uma situação bem diferente, por isso no meu dia a dia, procuro manter a mente aberta, tratar todo mundo muito bem, do porteiro do prédio ao governador e se tenho uma chance de conviver um pouco mais de perto, procuro sempre aprender algo novo! Trocando em miúdos, eu poderia dizer mesmo que determinação e foco são duas palavras que me definem bem!

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No Pátio – O que você diria que tem em comum com Francisgleidson, herói de Cine Holliúdy?

Edmilson Filho – Acho que como falei antes, essa determinação e empreendedorismo que ele mostra no filme são bem parecidos com características minhas. E o sonho, né? O Francisgleidison é um cara sonhador , como eu, que acho  que não adianta apenas ter um sonho é preciso correr atrás, acreditar de verdade naquele objetivo. Nesse aspecto, acho que ele tem muito em comum  não só o Edmilson, mas com todo cearense. Por isso acho que tanta gente curtiu o filme, por ver muita verdade nessa história de um típico cearense, bem humorado, de bem com a vida, sonhador, mas que também se levanta e corre atrás do que quer, até que consegue seu sonho!

No Pátio – O Filme , quebrou muitos paradigmas e estabeleceu algumas marcas históricas, isso sem falar dos inúmeros prêmios. Como é conseguir levar uma uma identidade cearense com uma linguagem própria para o mundo?

Edmilson Filho – No Ceará, acho que o filme deu uma auto estima muito legal para o cearense. As pessoas que foram assistir ao filme podem ter pensado “poxa, essa história tá passando no cinema, eles falando assim? E nós também falamos assim!”. Era a coisa coisa que já estava no ar, solta e nós conseguimos colocar tudo junto. Então penso que muita gente, que realmente fala assim ,age daquela forma natural nossa, não queria admitir e se assumir como é e acho que o Cine Holliúdy permitiu uma libertação e um orgulho maior de ser cearense, o que me deixou muito feliz! No Brasil, claro que ganhamos também um respeito maior. No Rio, por exemplo, no shopping da Gávea, que um shopping center classe A, todas as sessões estavam lotadas, então acho que a gente conseguiu mostrar uma identidade muito verdadeira do cearense pro nordestino e também pro resto do Brasil, e não aquele “norderstino” sintético, que não tem uma identidade de raiz certa, nem é de Pernambuco, nem de Alagoas, nem do Ceará, uma coisa meio “Robocop”, sabe?

O filme está sendo exibido essa semana na Rússia e já passou por vários países, como Estados Unidos, França e com isso a gente consegue sair do nosso quintal e ir pro mundo todo e conseguimos isso com muita verdade. quando a gente passa uma verdade, todo mundo reconhece! As pessoas de fora do Brasil, podem não perceber as nuances, como gírias e expressões muito nossas, mas compreenderam a essência do filme, a paixão pelo cinema e a personalidade de cada personagem, produziu um verdadeiro encantamento por onde a produção passou!

No Pátio – E sobre a questão específica do sotaque? Muitas vezes vemos o cearense ou o nordestino ser colocado de forma caricata em novelas ou produções do cinema brasileiro. Na sua opinião, isso é pejorativo de alguma forma e prejudicial pra nós?

Edmilson Filho – Acho que todo personagem pode ser feito por vários tipos de atores e nessa questão acho que vai muito da preparação do ator que vai fazer o personagem. Se não houver uma verdadeira imersão no contexto do personagem, pode sim ficar caricato, meio pejorativo. Mas acho que cada vez mais o Ceará ganha espaço na TV, no cinema e na mídia e essa questão de sotaque ou não sotaque “cearês”, se torna menor perto do trabalho realizado pelo artista.

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No Pátio – Um filme produzido com baixo orçamento ( apenas R$1 milhão), estourar nas bilheterias, chegar as telas de cinema do mundo todo e fazer tanto sucesso como Cine Holliúdy fez foi um acontecimento inédito. Qual a receita ou a mágica pra fazer isso acontecer?

Edmilson Filho – O Halder é uma pessoa que planeja muito bem tudo que ele faz. Na verdade, pouca gente sabe, mas ele é formado em administração, então ele é um profissional muito completo, sabe opinar com propriedade em muitas áreas que envolvem a produção de um filme longa-metragem como esse e a administração de orçamento é uma dessas áreas, bastante importante. O filme nasceu do curta, que é de 2004, que foi super reconhecido e premiado, levando mais de 80 prêmios em 40 países! Então  em 2005 que começamos a idealizar e preparar o longa. Essa mentalidade de administrador do Halder, foi o que ajudou a “tirar leite de pedra”, com o pouco dinheiro que tínhamos para fazer o filme. Existem muitos excelentes cineastas, mas que pecam por não  conhecer bem o seu público, ou não pensa nos canais de distribuição e o Halder, eu sempre brinco que é outro nível de faixa preta (risos!). Então ele realmente pensou em tudo. Outra coisa que ajudou muito na minha opinião, foi o foco de lança primeiro do Ceará e ir medindo a aceitação, o sucesso e daí partir pro Brasil e pro mundo, o que gerou uma expectativa e uma curiosidade  muito legal nas pessoas. O principal era ter um bom produto e saber qual o mercado pra esse produto. O produto que tínhamos era muito bom e graças a Deus, deu tudo certo, o povo cearense abraçou o projeto e vestiu a camisa e uma vez que estouramos no Ceará, foi só uma questão de tempo pra ser sucesso em todo o país!

No Pátio – O povo quer saber e vou perguntar o que você deve ouvir demais: Vai haver um Cine Holliúdy 2?

Edmilson Filho – Sim! Vai haver um Cine Holiudy 2. Já temos planos e logo mais começaremos a trabalhar no prjeto da sequência. Primeiro nós vamos fazer oum outro longa,” Shao Lin do Sertão”, que é uma comédia muito interessante e bonita, que aborda o mesmo universo do Cine Holiúdy, apesar de serem temáticas bem distintas. É outra história, completamente diferente, mas que mexe com essa temática do orgulho cearense. A história se passa no Ceará, tem uma boa dose de humor e os personagens também falam com esse nosso sotaque bem particular , apesar de termos que diminuir um pouco esse sotaque porque o filme é uma produção da Globo Filmes e terá distribuição nacional. Será um filme que envolve artes marciais, muito legal mesmo, estou ansioso pra começar! E aí, voltando a sua pergunta, logo depois desse projeto,  já estamos com a estrutura montada e aí daremos início a produção do Cine Holliúdy 2! A previsão é rodar o filme ano que vem.

No Pátio – Com tanta coisa boa acontecendo e tanta correria, quais são os planos de Edmilson para o futuro?

Edmilson Filho – São muitos, ainda bem! Este mês e o próximo estamos filmando um programa pra Globo Internacional e para o Canal Brasil  que vai se chamar Nazamérica ( assim mesmo!), onde eu vou viajar pelos Estados Unidos dismistificando o país, não só mostrando os pontos turísticos, mas mostrando mesmo o país como é, mostrando pras pessoas  que nos Estados Unidos também tem “imundiça”(risos!).  É como se fosse uma espécie de misutra de comédia com documentário e serão 15 episódios. Deois da Copa agora, vai ao ar no portal G Show um novo programa meu, que se chama “Tome Prumo”, que é uma comédia muito legal também, com um cara em um programa de perguntas e respostas. E tenho também outros dois  filmes que estão pra acontecer de agora até gravar o Shao Lin do Sertão, então provavelmente ainda esse ano, por agora!

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No Pátio – E sobre esses dois filmes, pode dar um gostinho e adiantar alguma coisa?

Edmilson Filho – Hum… É complicado, porque vai que muda alguma coisa? (Risos) Bom,  são filmes de diretores do sudeste, o segundo eu inclusive recebi o convite pra participar há dois dias e ainda estamos vendo como vai funcionar, se vou mesmo poder fazer, mas já sei que será uma produção com a Tatá Werneck e a Ingrid Guimarães, um comédia também e tem tudo pra ser rodada no final de julho agora. Se minha agenda permitir, estou no elenco!

No Pátio – E o sotaque cearense como fica nessa história? Com tantas produções diferentes em diferentes regiões, como funciona a questão do seu sotaque? Normalmente você adota um sotaque mais brando dependendo do trabalho ou é meio que um pré-requisito na contratação que você fale sempre com o sotaque bem carregado?

Edmilson Filho – Não, não. Depende realmente muito do trabalho em questão. Esse filme do Rio por exemplo, eu vou ter que abrandar bastante o meu sotaque, que é naturalmente assim mesmo. Mas nas minhas produções com pegada mais autoral, essas não. Essas eu prefiro usar o meu sotaque mesmo, até dar destaque a ele, as vezes exagerando um pouco, por essa ideia mesmo de vestir a camisa da minha terra, de trazer a verdade e essa identidade cearense pra produção. É claro que sempre dependo do direcionamento do diretor e cada personagem tem seu jeito, personalidade e sotaque, eu faço o que tiver que fazer. Mas se eu puder, eu tenho que vender a minha verdade, do jeito que sou e até a minha comédia tem muito a ver com isso, com essa coisa do sotaque!

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No Pátio – O Francisgleidson foi e é seu personagem favorito, ou tem algum outro que te marcou mais ou foi mais especial?

Edmilson Filho – Bom, o Francisgleidson é sim muito especial, pois foi o que eu chamo de “Turning point”( ponto de virada), Eu vou me desligar dele, claro, mas esse personagem foi bem especial sim. O próximo personagem (o Shao Lin), o Aluísio, também é um personagem muito forte, tanto quanto o Francisgleidson. Ele tem outra pegada e com certeza vou me apegar a ele também, mas acho que por um bom tempo, quem me vir ou ouvir falar de mim, vai se lembrar e fazer um link direto com o Francisgleidson!

No Pátio – A cena do humor cearense, segue um ciclo, ja tivemos Chico Anísio, Renato Aragão , Tom Cavalcante…me parece que o Edmilson Filho se projeta como o homem do próximo ciclo da cena do humor brasileiro. E aí? Exagero ou realidade?

Edmilson Filho – Não, isso é o que eu quero. É um objetivo. Vamos ver se isso acontece, né? Como eu te falei antes, as coisas vem se desenhando ao meu redor e eu, mas sempre com muita espontaneidade, que é ma coisa muito minha e acho que isso que dá a graça maior da coisa,. Mas se acontecer, eu tô pronto! Muita gente diz as vezes que não tem oportunidade, mas isso existe sim, as oportunidades passam na sua frente o tempo todo, você tem que estar pronto pra abraçá-las e fazer seu melhor. Elas têm aparecido e eu acho que estou pronto, então o que tem aparecido se eu acho legal, tô fazendo.

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 No Pátio – Quem são os artistas, atores e atrizes que você admira e que inspiram seu trabalho de alguma forma? Você tem um ídolo?

Edmilson Filho – Atores…? Ih, agora você me pegou de surpresa…Deixa eu pensar…não são muitos não, viu? Bom ,eu gosto muito do Wagner Moura, acho ele um excelente ator, muito preparado, Rodrigo Santoro também. Estou falando mais de cinema, né? Fernanda Montenegro, não tem nem o que falar, é uma sumidade! Acho que tem mais gente, mas não me vem à cabeça ninguém específico agora. Um ídolo? Se eu fosse nomear um ídolo seria o Bruce Lee (risos)…Aí fora tem mais gente! tem o Anthony Hpkins que acho demais, o Robbin Williams…Das mulheres? Deixa eu pensar aqui uma “boa, bonita e gostosa”… Kate Blanchet, gosto muito dela! E a Sandra Bullock. E a Nathalie Portman, claro! essa é a número 1 pra mim!

No Pátio – Você é jovem e parece ser bastante engajado. Como você a relação do cinema com o público jovem no Brasil? Você conhece projetos que usam o cinema como ferramenta para politizar mais a juventude ou afastá-la das mazelas atuais, como as drogas? 

Edmilson Filho – Por enquanto, eu e Halder não estamos envolvidos em nenhum projeto nesse sentido. Até porque estamos tentando conquistar um espaço que é muito difícil e acreditamos que precisamos estar mais estabilizados dentro do nosso mercado para nos lançarmos em algo assim, até pra gente chegar com mais autoridade em relação a isso. Mas o estudo do cinema, acho importantíssimo levantar essa bandeira. O Halder tem dado muitas palestras pelo Brasil todo, contando sua experiência de vida e profissional com o filme. Acho que os jovens que assistem sempre saem inspirados e motivados. Esse pode ser um caminho pra começarmos a nos envolver mais em projetos assim!

No Pátio – Para terminar, quero te perguntar sobre o momento que estamos vivendo no país. A Copa começa amanhã e em meio a animação dos jogos, existe a ameaça de muitas manifestações pelo país todo. Qual a sua opinião sobre essa nova onda? Como você vê a atuação do jovem na política atual? Você acha que as manifestações serão o bastante para produzir mudanças reais ou é preciso mais que isso?

Edmilson Filho – Eu dei uma entrevista agora no sábado pro jornal O Globo, onde eles entrevistaram personalidades de 11 capitais exatamente sobre essas questões e isso foi tema pra uma entrevista toda (risos)! Mas vamos tentar resumir né? Ai meu Deus…!  Que eu falo? É tanta coisa! Sobre as manifestações, tem vários aspectos! Um que eu falo sempre é que as manifestações sobre a Copa deveriam ter acontecido em 2007. Se não queríamos, deveríamos ter deixado bem claro e muito antes. Elas são legítimas? São! Mas não por causa da Copa, sim porque o Brasil está passando por esses problemas há anos!

Os movimentos aumentaram agora, porque muita coisa foi prometida e agora a população vê que essas melhorias “para a copa”acabaram não acontecendo e acho que isso indignou muita gente. Mas sobre a questão social, eu não gostar de colocar a Copa como razão das manifestações, até porque se for genuíno e verdadeiro, depois da Copa isso vai continuar, e TEM QUE CONTINUAR! A Copa chegou e está aí, vai acontecer, então acho que temos que fazer o melhor possivel, correr atrás, mandar bem e fazer esse negócio bem feito.  Mas concordo que é preciso mais que ir ás ruas, é preciso uma mudança vinda de dentro de cada um. Nào dá pra generalizar, mas no meio disso tudo, tem mesmo muita gente hipócrita e que não leva tão a sério. Se você quer o certo, você tem que ser correto em suas ações também, nas coisas simples como não jogar lixo na rua, respeitar o trânsito, honrar sua dívidas, aí sim podemos ir às ruas e exigir o que é nosso de direito!

 

Matéria: Lívia Saboya, Editora-chefe do portal No Pátio

Fotos: Henrique Cardozo

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